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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Isso torna um romance entre nós mais provável.


Querida Jordana,

Obrigado por deixar explorar seu corpo. Poderia beber seu sangue. Você é a única que eu permitiria ser reduzida de tamanho e nadar dentro de mim numa máquina minúscula. Perdemos nossa virgindade, mas não foi como perder algo. Você é boa demais para mim, para qualquer um.

Sinceramente,

Oliver.

"Submarine" (2011).

sábado, 11 de junho de 2011

Monstros não existem


- Como vai?
- Tudo bem.
- Não se assustou, não é? Não há monstros no armário, há? Detesto monstros.
- Monstros não existem.
- Então, ótimo.
- Ouvi um barulho.
- De caminhão?
- De bala.
- Estranho. Porque nós saímos daquele bairro violento. E não há muitas armas por aqui.
- As balas vão longe?
- Bem longe. Geralmente, penetram em algum lugar e param.
- E se não pararem?
- Está pensando na bala que passou pela sua janela? Quer que nos mudemos de novo?
- Gosto daqui.
- Eu também. Mas se aquela bala descobrir onde estamos... Espere aí.
- O que foi?
- Que idiota! Como pude esquecer?
- O quê?
- Esqueça. Você não vai acreditar.
- Conte.
- Está bem. Quando eu tinha 5 anos... uma fada veio ao meu quarto numa noite.
- Até parece!
- Falei que não ia acreditar. Vá dormir.
- Não, conte.
- A fada entrou no meu quarto... e eu disse: "Até parece que você é uma fada". E fiquei falando. Ela voou pelo quarto, derrubando meus pôsteres e outras coisas.
- Ela voou?
- Tinha asas curtas e grossas. Pareciam coladas. Não acreditei que era uma fada. Então, ela disse: "Vou provar". Ela enfiou a mão na mochila e puxou uma capa invisível. Amarrou ao redor do meu pescoço e disse que era impenetrável. Sabe o que significa impenetrável? Que nada pode passar por ela. Nenhuma bala. Nada. Ela disse que, se eu a vestisse, nada poderia me fazer mal. Então, eu vesti. E nunca fui baleado nem esfaqueado na vida. Nada disso. Parece estranho? Só que ela me disse
para dar à minha filha... quando fizesse 5 anos, e esqueci.
- Posso tocar nela?
- Claro, toque.
- Não estou sentindo.
- É muito legal, não?
- Se quiser, amarro em volta dos seus ombros. Ela me ensinou... A menos que você ache bobagem.
- Não precisa dela?
- Não, não preciso mais.
- E então, você quer? Ok, agora vou tirar você daqui. Levante a cabeça. Está apertado demais? Sente algo? Ótimo. É como tem de ser.
- Tiro para tomar banho?
- Não, fique com ela o tempo todo. Até ter uma filha e ela fazer 5 anos. Aí, você dá para ela. Combinado?
- Combinado.
- Boa noite, meu bem.
- Boa noite.

Daniel & Lara, "Crash - No Limite" (2004).

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Proteções


- Hora de dormir, gatinha.
- Ah! não! Só mais um pouco!
- Mas não por muito tempo.
- Mamãe, eu tenho uma pergunta.
- O quê, querida?
- Quando você e titia eram pequenas, vocês ficavam muito tempo juntas?
- Sim, muito.
- Mas a tia Juliette é mais velha que você. Então ela lhe protegia?
- Sim, contra tudo.
- E porque ela parou?
- Porque eu já não era mais uma menininha. Agora, durma.
- Sempre precisamos de quem nos proteja, não é? Mesmo grandes?
- É para isso que o papai está aí. Vamos dormir agora.
- Sabe mamãe, eu amo muito a tia Juliette.
- Eu também, meu anjo.
- É uma pena ela não ter filhos.
- Por que está dizendo isso?
- Porque eu teria muitos primos.
- Durma.

Léa & Petit Lys, "Há Tanto Tempo que te Amo" (2008).

sábado, 15 de janeiro de 2011

Porque eramos diferentes


- O sujeito que traz as coisas pra mim achou que fosse meu marido.
- Não conhecia Louis?
- Não. De qualquer forma não se parece com ele.
- É normal.
- Por quê?
- Porque eramos diferentes. Não sei se realmente gostava dele. Quando penso nele, sempre ouço gritos, insultos... Não sei o que lhe fizeram. Se realmente sofria, se tinha razão para guardar rancor, mas... eu guardava dele por ter feito minha mãe chorar. É estranho, no dia do enterro meu pai estava consternado. Enquanto ela... chorava. Cheguei a pensar que talvez tivesse ganhado a guerra. Que finalmente estava vingada. Que nunca mais a faria chorar novamente.
- Gostaria de vir comigo à praia mais tarde?
- Sim, claro.

Mousse & Paul, "O Refúgio" (2009).

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Baunilha ou Chocolate?


- Então, você vai a um escritório, depois vai à televisão e fala sobre cigarros. Depois voa para Los Angeles para falar com um cara que trabalha com estrelas de cinema. O que é isso?
- É o meu trabalho, sou um lobista.
- Eu sei, mas estudou para fazer isso?
- Não. Não, fui andando e aprendendo.
- Então qualquer um pode fazer isso?
- Não, isto requer... uma flexibilidade moral que está além da maioria das pessoas.
- Eu tenho flexibilidade moral?
- Bem, digamos que se torne um advogado, certo?
- E é chamado para defender um assassino. Pior, um assassino de crianças. Agora, a lei afirma que todos têm direito a um julgamento justo. Você o defenderia?
- Não sei. Acho que todos merecem uma defesa justa.
- Pois bem, as grandes multinacionais também.
- E o que acontece quando está errado?
- Bem, Joey, eu nunca erro.
- Mas não pode ter sempre razão.
- Se o seu trabalho é estar certo, nunca está errado.
- Mas e se estiver mesmo errado?
- Certo, digamos que esteja defendendo chocolate e eu baunilha. E agora se eu te dissesse "baunilha é o melhor sabor de sorvete" você diria...?
- "Não, é chocolate."
- Exatamente.
- Mas não ganha com esse argumento.
- Portanto, eu te pergunto: Acha que chocolate tem um sabor insuperável, não é?
- É o melhor sorvete. Eu não pediria outro.
- Então com você é só chocolate, certo?
- Sim, chocolate é tudo o que preciso.
- Bom, eu preciso mais do que apenas chocolate.
- E mais do que apenas baunilha.
- Eu acredito que precisamos de liberdade de escolha em relação aos sorvetes e isso, Joey Naylor, isso é o significado de liberdade.
- Mas não estamos falando disso.
- Mas eu sim estou falando disso.
- Mas não provou que baunilha era melhor.
- Não precisei.
- Provei que você estava enganado, e se está enganado, eu estou certo.
- Mesmo assim não me convenceu.
- Porque você não me interessa.
- Eles é que me interessam.

Joey & Nick, "Obrigado por Fumar" (2005).

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Bullying


- Nossa, isso é lindo! Parece que se deu bem na vida.
- Não é Faculdade de Medicina... mas nunca gostei de estudar mesmo. Não era muito boa. Estou surpresa que se lembre de mim.
- Eu me lembro de você. E lembro como a tratávamos naquela época. Você era tímida e eu, um idiota... Eu sinto muito. Só queria pedir desculpas.
- Do que está falando?
- Faz tanto tempo. Nem sei o que você poderia ter feito. Não vamos remexer o passado. Sherry, entre.
- O modo como a tratávamos estava errado. Nós estávamos errados.
- Pode ir. Tenho uma família agora. Já não sou aquela menina feia faz tempo.
- Você nunca foi feia.
- Por que veio aqui? Eram crianças. Sei como são as crianças. Não significava nada.
- Ouça, não quis vir aqui... Quer dizer... Sinto muito se a magoei. Não queria magoá-la de novo. Vou embora.
- David... obrigada.
- Tem certeza?
- Obrigado.

David & Winnie, "Linha Mortal" (1990).